JIU JITSU ORIGEM

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JIU JITSU ORIGEM

A (verdadeira) história do Jiu-Jitsu

Há uma confusão hoje quando se fala na história do Jiujitsu. Os livros, revistas e praticantes sempre falam (erroneamente) que o Jiujitsu nasceu na Índia por volta de 2000 anos atrás. Esse conceito está errado e deturpado.

Problema na tradução

A confusão já inicia no próprio nome, a grafia correta para a palavra (柔術) em japonês seria Jujutsu (para línguas anglófonas) que significa “técnica suave” ou “arte suave”. A pronúncia em português é próximo de díuu-dí-tsu (a pronúncia para nós que falamos português é alienígna e anti-natural).

O termo Ju no Kanji significa suave. O Kanji “jitsu” significa verdadeiro, portanto seria algo como “leve verdadeiro”, o que é errado, o correto é “Jutsu” que significa técnica.

Indiferente a grafia correta, no português ficou conhecido no Brasil como Jiujitsu desde que se pronucie “Djiuu-djii-tsu”.

Confusão Histórica

A confusão que se instaurou em dizer que a Índia seria a mãe de todas as artes marciais do oriente vem do fato de Bodhidarma, indiano, ter introduzido nos templos de Shaolin, na China, exercícios do Vajra Mushti (antigo estilo de luta da nobreza indiana) como técnicas oficiais para os monges suportarem as longas horas de meditação.

Bodhidarma observou que os monges constantemente desmaiavam e não tinham um bom preparo físico necessário para ficar por horas a fio de forma imóvel, apenas meditando. Dessa forma introduziu exercícios físicos obrigatórios a todos os monges, influenciando os templos para que dali em diante aprimorassem a parte física. Vale ressaltar que alguns monges já praticavam alguns estilos de Kung Fu, mas era algo solitário e sem relação com a disciplina dos templos.

O Vajra Mushti é uma arte antiga, com relatos que datam do século 5 antes de Cristo, mas nada lembra as artes japonesas ou chinesas. Essa confusão aconteceu com o Kung Fu também, já que foi associado como sendo uma especialização desses exercícios. Essa confusão já dissipou porque já foi comprovado que muito tempo antes já existiam estilos de Kung Fu, desde o tempo do Imperador Amarelo(por volta de 2000 antes de Cristo).

Por causa dessa confusão sofismável, creditou que o Kung Fu teria sido originário da Índia, tendo sido exportado para o Japão por comerciantes e monges budistas. O único estilo de Kung Fu que poderia lembrar o Jiujitsu seria o Shuai Jiao, uma espécie de Wrestling chinês conhecido desde o tempo do Imperador Amarelo.

Há relato de comerciantes chineses demonstrando o Shuai Jiao por volta de 1600 no Japão, portanto pode até ser que algum estilo de Jiujitsu tenha sido influenciado, mas nessa época os samurais já de longa data tinham um jiujitsu refinado.

Origens do Jiu-Jitsu

Desde os tempos mais remotos o homem conhecia estilos de luta baseado em grappling como relatos na Bíbliafilósofos gregosEgito dos faraós ou em cavernas da França no tempo dos Mamutes e tigres dente-de-sabres por volta de 10000 anos antes de Cristo. Hércules era conhecido como um exímio wrestler na mitologia grega antiga.

Alexandre, o Grande, durante a campanha na Índia patrocinou diversos desafios de wrestling entre seus soldados e oficiais contra campeões do mundo inteiro, poderíamos até dizer que os estilos indianos viriam do Pankration grego, mas estaríamos supondo sem provas concretas.

De toda forma o mundo antigo proporcionava contato entre culturas diferentes por meio de guerras e desafios e seria natural que estilos tão distintos fossem exportados, conhecidos e aprimorados por outros povos. Se observármos a história, todos os povos antigos tinham algum estilo de wrestling, desde os gregos, passando pelos persas babilônicos até os japonses.

Não há nada que desabone a origem genuinamente japonesa do Jiujitsu, estilos ancestrais já eram mencionados em livros de crônicas antigos como Nihon ShokiKokki ou Kojiki.

chikara-kurabe

No livro de crônicas Nihon Shoki, há relatos de uma competição chamada Chikara-Kurabe, que era uma competição onde lutadores se confrotavam em regras que lembram tanto o Sumô quanto o Jiujitsu. Essa competição se realizou no 7º ano do Imperador Suinin (29AC-70DC), por volta do ano 22 antes de Cristo.

O sistema feudal japonês era fundamentado sobre as castas de samurais divididos em clãs. Um clã era formado por várias famílias tanto de samurais como de agricultores, ambos eram vassalos de um Daimyô que por sua vez era submetido a um Xógum que era quem de fato comandava o Japão. O imperador por muitos séculos foi apenas uma peça de exibição tal qual hoje a rainha da Inglaterra significa para a Grã-Bretanha.

Um clã possuía várias famílias de samurais, essas famílias eram nobres e somente eles podiam praticar artes de guerra como bojutsu (arte com bastão), kenjutsu (arte com a espada), jujutsu (técnica desarmada), entre outras.

Cada clã possuía seu próprio estilo de Jiujitsu e durante os confrontos e desafios as técnicas eram conhecidas pelos adversários. Era crime de traição se um samurai ensinasse as técnicas de um clã para um membro de outro clã, caso isso ocorresse ele deveria praticar o Harakiri (suicídio).

samurai

Por volta do ano 1600 depois de Cristo, existiam cerca de 2000 escolas (RYU) de Jiujitsu no japão, o que corresponde a mais de uma por clã. Os mais famosos eram:

 

Após o fim do período feudal com o advento da era Meiji (Restauração), os samurais foram marginalizados e tiveram que sobreviver abrindo escolas para leigos, entrando para o recente exército imperial ou assumindo cargos de técnicos em empresas estrangeiros (já que eram bem educados e possuíam conhecimentos em pintura, escrita, poesia e demais artes japoneses, coisa que os cidadãos comuns não possuím por serem analfabetos na sua maioria).

Durante essa época várias escolas se fundiram, a mais célebre de todas como a Kodokan, uniu vários mestres em diferentes estilos de Jiujitsu e unificou várias técnicas, desde estilos tão distintos como Daito-ryu (que deu origem ao Aikido) por meio de Shiro Saigo, passando pelo Fusen-Ryu (onde um lutador apareceu na Kodokan e enfileirou todos os alunos de Jigoro Kano com técnicas de solo, de onde saiu a maioria das técnicas atuais do ne-waza) até o Kito-ryuque o próprio Kano estudou (especializado em técnicas de projeções ou nage-waza). O Daito-ryu também deu origem ao estilo coreano do Hapkido, seu fundador, Choi Yong Sul, o mesclou com o Taekwondo.

Observe abaixo nessa imagem da Kodokan a reunião de vários mestres em diferentes estilos de Jiujitsu que se juntaram a Kodokan:

kodokan

Na linha de baixo sentados, da esquerda para a direita:

..Masamizu Inazu da Miura Ryu
…Yazo Eguchi da Kyushin Ryu
…Takayoshi Katayama da Yoshin Ryu
…Kumon Hoshino da Shiten Ryu
Jigoro Kano da Kodokan
…Hidemi Totsuka da Totsuka-ha Yoshin Ryu
…Jushin Sekiguchi da Sekiguchi Ryu
…Koji Yano da Takeuchi Ryu
…Katsuta Hiratsuka da Yoshin Ryu

Em pé, da esquerda para direita:

…Kehei Aoyagi da Sosuishi Ryu
…Mogichi Tsumizu da Sekiguchi Ryu
…Hikosaburo Ohshima da Takeuchi Ryu
…Hoken Sato da Kodokan
…Kotaro Imei da Takeuchi Ryu
…Mataemon Tanabe da Fusen Ryu
…Shikataro Takano da Takeuchi Ryu
…Hidekazu Nagaoka da Kodokan
…Sakujiro Yokoyama da Kodokan
…Hajime Isogai da Kodokan
…Yoshiaki Yamashita da Kodokan

Podemos dizer que a Kodokan se tornou a melhor escola de Jiu-Jitsu do início do século 20, Jigoro Kano não só estudou outros estilos como convidou diversos mestres de outras escolas, além do que enviou alunos para estudar outros estilos em outras regiões e até outros países. Mas por enfatizar a luta de competição e principalmente com regras que privilegiaram a luta em pé (com golpes de projeções) somado com a retirada de vários golpes considerados perigosos, o Jiujitsu foi definhando e sumiu do mundo.

Jigoro Kano chegou a estudar e adaptar técnicas do Wrestling ocidental (que influenciou nas regras da Kodokan nos anos seguintes como segurar o adversário de costas no chão durante um determinado tempo), além de boxe e outras artes marciais orientais na formação da Kodokan.

Graças a família Gracie que manteve o espírito samurai e privilegiou a luta no solo ensinada por Mitsuyo Maeda, não podemos também deixar de lembrar da família Fadda, que teve sua parte história. Golpes considerados extintos e desconhecidos dos praticantes de Judô modernos foram resgatados. Agora com o sucesso do Jiu Jitsu nos torneios de Vale-tudo pelo mundo, golpes do Judô que foram perdidos são resgatados de antigos livros e videos mundo afora.

Menção especial ao vídeo “The Essence of Judo” de Kyuzo Mifune que demonstra um Judô próximo de suas origens e lembra bastante o Jiujitsu brasileiro principalmente nas técnicas de solo exibidas.

Mataemon Tanabe, mestre de Fusen Ryu na imagem abaixo:

Todas as técnicas famosas do Jiu-Jitsu brasileiro já eram conhecidas da Kodokan e vinham de algum estilo específico do Jiu-Jitsu antigo como Armlock (ude hishigi juji gatame), chave de braço reta (Ude gatame, Hara gatame, Waki gatame, Hiza gatame), triangulo (sankaku juji jime), Chave kimura (Gyaku Ude Garami), Americana (Ude Garami), Ezequiel (Sode Guruma Jime), Mata-leão (Hadaka Jime),  Gravata Lateral (Kata Gatame), Relógio (Koshi Jime), Gola Rodada (Kataha Jime), Baiana (Morote gari), omoplata (Ashi Garami), Guilhotina (Tate Hishigi), Guilhotina na guarda (Giaku hishigi), Tesoura (Kani Garami), chave de pé (Ashi Dori Garami) e até o denominado gogoplata (Kagato Jime) que o Nino Shembri diz ter criado.

tecnicas

Investigaremos em outro artigo os pioneiros do Jiujitsu no Brasil e como essa arte foi preservada em nossa terra e desapareceu do Japão.

Não vamos confundir a Kodokan Jujutsu com o Instituto Kodokan de Judô que foi a primeira escola de judô, fundada no Japão, por Jigoro Kano, em 1882, ou seja, muito tempo depois, no templo de Eishoji de Kita Inaritcho, bairro de Shimoya em TóquioJigoro Kano inaugura sua primeira escola de judô, denominada Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade), já que “Ko” significa fraternidade, irmandade; “Do” significa caminho, via; e “Kan”, instituto. A Kodokan estava localizada no segundo andar de um templo budista Eishoji de Kita Inaritcho, onde havia doze jos (jo é uma medida de superfície, módulo de tatame). O primeiro aluno inscreveu-se em 5 de Junho de 1882, chamava-se Tomita. Depois vieram Higushi, Arima, Nakajima, Matsuoka, Amano Kai e o famoso Shiro Saigo. As idades oscilavam entre quinze e dezoito anos. Kano albergou-os e ocupou-se deles como se fosse um pai. Foi um período difícil, mas apaixonante, o jovem professor não tinha dinheiro e o shiai-jo media 20m², mas a escola progrediu e em breve tornou-se célebre.

 

A ORIGEM DO JIU JITSU NO BRASIL

 

Somente no Século XX o Jiu-Jitsu Japonês chegou ao Brasil, mais especificamente em Belém do Pará.

 

  FAMÍLIA GRACIE E O JIU-JITSU

O primeiro contato da família Gracie com o Jiu-Jitsu Japonês foi em 1920, através de Mitsuyo Maeda, também conhecido como Conde Koma, que era considerado um dos melhores lutadores de Jiu-Jitsu do Japão.

Nessa época, Conde Koma veio para o Brasil, como parte de uma grande colônia de imigração japonesa, e em Belém do Pará, tornou-se amigo Gastão Gracie, um diplomata de descendência escocesa, muito influente na região, que ajudou Maeda a estabelecer-se no Brasil.

Para demonstrar sua gratidão, Maeda prontificou-se a ensinar o Jiu-Jitsu japonês tradicional a Carlos Gracie, filho mais velho de Gastão.  Carlos aprendeu por alguns anos, e depois, passou seu conhecimento para os irmãos.

 

  FAMÍLIA FADDA E O JIU-JITSU

O primeiro contato da família Fadda com o Jiu Jitsu Japonês foi em 1937 através de Luiz França que foi o mestre de Oswaldo Baptista Fadda, somente com 17 anos de idade, o nosso Fadda colocaria pela primeira vez um quimono. Luiz França, que por sua vez foi um dos discípulos do pioneiro do jiu-jitsu no Brasil o Conde Koma (Mitsuyo Maeda), Conde Koma que também treinou, dentre outros, os Grandes Mestres Hélio e Carlos Gracie, maiores difusores do Jiu-Jitsu no Brasil.

Depois de um ano, Luiz França já dizia que Fadda seria um aluno de grande promessa na nossa arte do jiu-jitsu brasileiro no Brasil. Como poderia França estar tão certo disso? O que vemos hoje na história é a confirmação de França.

Em 1942, Luiz França resolve promover Fadda ao título de professor faixa preta. França agora bem orgulhoso de seu aluno que seria um exemplo para muitos. Neste mesmo ano, Fadda começou a ensinar Jiu-Jitsu, no subúrbio de Bento Ribeiro, na cidade do Rio de Janeiro. Seu primeiro aluno foi Alexandre de Souza Neves (Mestre Chandú). Alguns anos depois Fadda teria fundado seu primeiro quartel general na cidade do Rio. Em 27 de janeiro de 1950, nesse mesmo subúrbio, Fadda fundou sua própria academia.

 

HÉLIO GRACIE

Nascido em 1 de Outubro de 1913, Hélio Gracie foi o maior responsável pelo refinamento técnico da arte japonesa, e pela difusão do Jiu-Jitsu no Brasil e no mundo.

Devido à sua frágil saúde,  Hélio Gracie, o mais franzino dos Gracie, não podia treinar o Jiu-Jitsu ensinado pelos seus irmãos, especialmente Carlos Gracie.

Observador, passou a acompanhar dos seus treze aos dezesseis anos, as aulas ministradas por Carlos, aprendeu todas as técnicas e ensinamentos de seu irmão, mas, para compensar seu biotipo, Hélio aprimorou a parte de solo tradicional, através do uso de alavanca, dando-lhe a força extra que não possuía.

Em 1961 Helio Gracie criou o primeiro programa de vale tudo no mundo, chamado “Heróis do Ringue”, e em 1967 foi o responsável pela criação da primeira Federação de Jiu-Jitsu do mundo, chamada Federação de Jiu-Jitsu do Estado da Guanabara, e foi seu presidente por muitos anos.

No dia 29 de Janeiro de 2009, aos 95 anos, Hélio Gracie faleceu e deixou como legado as raízes do esporte que ensinou e difundiu por todo o planeta.

  

 

OSWALDO FADDA

Oswaldo Baptista Fadda (Rio de Janeiro, nasceu em 01 de agosto de 1920 – Rio de Janeiro, falecimento em 01 de abril de 2005) foi um Grande Mestre de jiu-jitsu brasileiro, chegando ao 9.º grau (faixa vermelha) em vida e ao 10.º grau postumamente.

professor Fadda nasceu, viveu e morreu em Bento Ribeiro. Homem humilde, conhecedor profundo do Jiu jitsu e o pioneiro a levar a "arte suave" para o subúrbio carioca. Quando, aos 17 anos, era do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, Oswaldo Fadda começou a treinar jiu-jitsu e foi o melhor pupilo do professor Luiz França, que fez parte do pequeno grupo de alunos de Mitsuyo Maeda, conhecido como Conde Koma, introdutor do jiu-jitsu no Brasil, em 1917, na cidade de Belém, no estado do Pará.

 

DESAFIO DA FAMÍLIA FADDA E A FAMÍLIA GRACIE

Com tantos trabalhos voluntários e tendo como público uma comunidade carente, não lhe restava muito capital para investir em publicidade. O máximo que ele conseguia para poder divulgar sua academia era um pequeno espaço na página de óbitos. Então a solução encontrada pelo Mestre Fadda para chamar a atenção da mídia foi a de desafiar a poderosa família Gracie.

 

Primeiro desafio

Em 1954, o Mestre Fadda foi aos jornais O Globo e o Diário da Noite e declarou:

"Desejamos enfrentar os Gracie, respeitamo-los como incomparáveis adversários, porém não os tememos. Disponho de cerca de vinte alunos para os encontros."

Atendendo as expectativas, Hélio Gracie aceitou o desafio, dizendo-se impressionado pelo cavalheirismo do desafiante e garantiu que as lutas iriam ocorrer na própria sede da academia Gracie, na Avenida Rio Branco, centro da cidade do Rio de Janeiro. Fadda foi até a Academia Gracie, acompanhando de vários de seus alunos, para uma série de combates com o famoso clã do Jiu-Jitsu. As lutas ocorreram no segundo semestre do mesmo ano, mas dessa vez os fatos foram de encontro às expectativas: a academia Fadda superou a academia dos Gracie, surpreendendo a comunidade do Jiu-jitsu. Destaque para a finalização emplacada por José Guimarães, que deixou desacordado Leônidas, então lutador da Gracie. Ao término do desafio, a Academia Fadda, ganhou expressão e notoriedade. Hélio, impressionado com a técnica dos lutadores suburbanos, declarou que o Jiu-jitsu não era exclusividade de uma família.

Os alunos de mestre Fadda surpreenderam os alunos da Gracie com a finalizações por chaves de perna (leglock's). E, durante longo tempo, esta forma de finalização sofreu preconceitos por ser considerada uma técnica de "lutador suburbano."

 

O Segundo desafio

No ano seguinte, nas lutas preliminares do confronto entre Waldemar Santana e Carlson Gracie, realizou-se um novo desafio entre as duas academias. Nesta ocasião, sempre que os alunos de Fadda atacavam as pernas e pés dos adversários, os alunos de Gracie gritavam "Sapateiro!", na tentativa de constrange-los. Porém, novamente os suburbanos levaram a melhor.

"É preciso existir um Fadda, para mostrar que o Jiu-Jitsu não é privilégio dos Gracie."

— Hélio Gracie, na Revista dos Esportes, publicada no Rio de Janeiro em 1955. —

 

"Acabamos com o tabu dos Gracie."

 

 

CONTINUIDADE DA HISTÓRIA DA FAMÍLIA GRACIE

 

A EFICIÊNCIA

Para provar a eficácia de seu novo sistema, Hélio Gracie desafiou publicamente todos os praticantes de artes marciais mais respeitados do Brasil e do mundo. Participou de várias lutas, e após subir no ringue com o campeão mundial Masahiko Kimura, foi convidado por ele, para que fosse ensinar no Japão, admitindo que aquelas técnicas que Hélio apresentara durante a disputa não existiam no Japão. Era o reconhecimento do melhor do mundo à dedicação de Hélio ao refinamento da arte.

Aos 43 anos, Hélio Gracie e seu adversário Waldemar Santana, um ex-aluno, bateram o recorde mundial do mais longo combate de vale-tudo da história, quando lutaram, incrivelmente durante 3 horas e 40 minutos, sem intervalos! Hélio Gracie amplamente considerado o primeiro herói do esporte na história brasileira, também desafiou alguns ícones do boxe, como Primo Camera, Joe Louis e Ezzard Charles, todos recusaram.

Uma lenda contemporânea, Hélio Gracie conquistou aclamação internacional por sua dedicação à divulgação da arte e da filosofia do Gracie Jiu-Jitsu.

Devotado à família, um exemplo de vida saudável, Hélio foi um símbolo de coragem, disciplina, determinação, e uma inspiração para todos os que o conheceram.


 

DESAFIOS DE HÉLIO GRACIE

1932 – Venceu o boxer Antônio Portugal com uma chave de braço

1932 – Empatou com o judoca japonês Takashi Namiki

1932 – Empatou com o gigante da luta livre Fred Ebert

1934 – Venceu o judoca japonês Taro Miyake com um estrangulamento

1934 – Empatou com o lutador de luta livre Wladek Zbyszko

1935 – Venceu o lutador de luta livre Dudu por nocaute

1935 – Empatou com o judoca japonês Yassuiti Ono

1936 – Empatou com o judoca japonês Takeo Yano

1936 – Venceu o lutador de sumô Massagoishi com uma chave de braço

1937 – Venceu o boxer Erwin Klausner com uma chave de braço

1937 – Venceu o capoeirista Espingarda por finalização

1950 – Venceu Landulfo Caribe com um estrangulamento

1950 – Venceu Azevedo Maia com um estrangulamento

1951 – Empatou com o judoca japonês Jukio Kato

1951 – Venceu o judoca japonês Jukio Kato com um estrangulamento

1951 – Perdeu para o judoca japonês Masahiko Kimura com uma Kimura

1955 – Perdeu para o ex-aluno Waldemar Santana por nocaute técnico

1967 – Venceu Valdomiro dos Santos Santana Ferreira com um estrangulamento

 

DE PAI PARA FILHO

Após uma vida inteira de dedicação para provar a eficiência de sua arte e sua filosofia de vida, o Grande Mestre Hélio Gracie direcionou suas forças para que sua família aprendesse e difundisse o Gracie Jiu-Jitsu.

Pai de 9 filhos: Rorion, Relson, Rickson, Rolker, Royler, Royce, Rhérika, Robin e Ricci, dedicou sua vida a treinar todos os homens de sua família para levar a bandeira Gracie ao mundo como forma de difundir sua filosofia de vida.

 

  “O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e mais fortes.

    Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, e da abstenção de hábitos prejudiciais à saúde.

    O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que o objetivo é, principalmente, beneficiar os mais fracos.”

                                                                                                                                                                                                      Hélio Gracie

 

Fontes principais:

https://higajiujitsuclube.wordpress.com/2015/07/08/a-verdadeira-historia-do-jiu-jitsu/comment-page-1/

https://judotradicionalgoshinjutsukan.blogspot.com/

https://oldschoolheliofadda.com.br/historia.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Oswaldo_Fadda